• Gentil Neto, prefeito de Caxias, tem mandato cassado pela Justiça

    CAXIAS – Em uma decisão proferida no dia 19 de dezembro de 2025, o juiz Rogério Monteles da Costa, da 004ª Zona Eleitoral de Caxias, julgou parcialmente procedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida por Paulo Marinho Júnior. A sentença determina a cassação dos diplomas do prefeito eleito, José Gentil Rosa Neto, e de seu vice, Eugênio de Sá Coutinho Filho, além de declarar a inelegibilidade por oito anos de ambos e também do ex-prefeito Fábio José Gentil Pereira Rosa,.

    O esquema da “engenharia eleitoral” em Caxias

    A decisão fundamentou-se no que o magistrado classificou como uma “engenharia eleitoral” deliberada, estruturada em três pilares principais de abuso de poder político e econômico:

    1. Contratações Massivas: Documentos fiscais revelaram uma “anomalia estatística” com a realização de 7.811 contratações temporárias apenas em março de 2024, representando mais de 90% das admissões de todo o ano,. O município operou com 53,14% de gastos com pessoal, ultrapassando o limite prudencial para criar um vínculo de dependência que transformou servidores em “cabos eleitorais involuntários”.
    2. Coação e Perseguição Política: Testemunhas relataram um ambiente de forte pressão, com reuniões na Secretaria de Saúde onde os celulares eram recolhidos e o apoio ao candidato da situação era exigido explicitamente. Servidores que apoiavam a oposição sofreram retaliações, como demissões verbais e suspensão de salários.
    3. Compra de Votos Estruturada: A investigação comprovou o pagamento de valores a eleitores (como R$ 400,00 por pessoa) via PIX na véspera e no dia da eleição. Uma das testemunhas confessou ter intermediado a venda de nove votos de seu núcleo familiar por R$ 1.800,00,.

    Provas Tecnológicas e Operações da Polícia Federal

    O magistrado destacou que a acusação superou meros indícios para alcançar a “certeza material” por meio de provas técnicas robustas. Foram utilizados dados de quebra de sigilo bancário (SISBAJUD) e telemático, que confirmaram a coincidência geográfica e temporal entre cabos eleitorais e eleitores através de metadados de Estação Rádio Base (ERB).

    Além disso, provas emprestadas das operações “Funâmbulo” e “Secure Elections” da Polícia Federal revelaram o oferecimento de até R$ 50.000,00 para que candidatas mulheres desistissem de suas campanhas, visando fraudar a cota de gênero do grupo adversário.

    Consequências e Próximos Passos

    Além da cassação e da inelegibilidade, o juiz determinou:

    • A anulação de todos os votos da chapa eleita.
    • A comunicação ao TRE/MA para a realização de eleições suplementares em Caxias.
    • O envio de ofício ao Ministério Público Eleitoral para apurar possíveis crimes eleitorais, como corrupção eleitoral e violência política de gênero.

    O investigado Gil Ricardo Costa Silva foi absolvido por ausência de provas de sua responsabilidade direta nos fatos. O prefeito e o vice-prefeito permanecerão nos cargos até que haja pronunciamento de instância extraordinária.

    Para entender a gravidade do caso, imagine que um candidato a uma maratona, para garantir a vitória, contratasse milhares de pessoas para bloquear o caminho de seus adversários e, simultaneamente, pagasse os juízes de linha para ignorarem as regras; a justiça, ao perceber que essas manobras foram as únicas razões pelas quais ele cruzou a linha de chegada primeiro, decide não apenas retirar sua medalha, mas anular toda a corrida e convocar uma nova competição, com regras rígidas e fiscais atentos.

    Outro lado

    Imirante entrou em contato com o prefeito de Caxias, Gentil Neto, que ainda não se manifestou sobre a decisão judicial.

    Fonte: https://imirante.com/noticias/caxias/2025/12/19/ipolitica-prefeito-e-vice-de-caxias-tem-mandatos-cassados

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