Única das três crianças que se perderam numa mata na zona rural de Bacabal já encontrada, o menino Anderson Kauã, de 8 anos, primo das outras duas desaparecidas, relatou, em depoimento prestado à família e às autoridades policiais, que Ágatha e Michel teriam se perdido ao entrar na mata em busca de um pé de maracujá, momento em que acabou se afastando dos primos.
Segundo o relato, durante uma forte chuva, Anderson disse ter se abrigado em um casebre, enquanto os dois irmãos permaneceram no local. Ao sair para procurar ajuda e retornar posteriormente, afirmou não ter mais encontrado as crianças, passando a vagar sozinho pela região até ser localizado pelas equipes de resgate.
Ao Metrópoles, o delegado Ederson Martins, responsável pelo caso, afirmou que a principal hipótese é de que as crianças tenham permanecido juntas por pelo menos duas noites.
Ágatha Isabelly, Allan Michael e Anderson Kauan se abrigaram em um local conhecido pelos moradores da região como “casa caída”.
Anderson relatou aos policiais que havia uma cadeira e colchão velhos na cabana, e que os três usaram o local como refúgio durante o período em que estiveram juntos. Em razão do estado avançado de deterioração da estrutura, eles também chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore.
No terceiro dia de desaparecimento, no entanto, Anderson teria decidido seguir sozinho pela mata. Segundo o depoimento, os dois mais novos estavam cansados e queriam parar de caminhar.
“[Ele] queria achar a saída. Estava perdido”, explicou o delegado. Esse foi o momento em que os três se separaram.
Anderson foi encontrado por um carroceiro em um matagal no dia 7 de janeiro, a cerca de 4 quilômetros do local onde desapareceu, sem roupas e com sinais de fraqueza. O menino chegou a afirmar que os dois primos estavam “mais à frente”, mas o local onde as crianças estariam não foi identificado pelas autoridades.
Após o resgate, o menino foi encaminhado para atendimento médico e acompanhamento psicológico. Familiares e autoridades informaram que ele apresenta lapsos de memória sobre parte do período em que esteve desaparecido, o que dificulta a reconstituição completa dos fatos.
As buscas pelos dois irmãos continuam, com atuação integrada do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, Polícia Militar, Polícia Civil e voluntários. As autoridades reforçam o pedido para que qualquer informação relevante seja comunicada imediatamente às equipes oficiais, enquanto a investigação segue em andamento.


