• Brasil segue abaixo da Arábia Saudita em representação parlamentar feminina, mostra ranking

    O Brasil ocupa o 133º lugar no ranking global da representação parlamentar feminina, apontam dados da União Interparlamentar (UIP), organização global dos parlamentos nacionais, e da ONU Mulheres, organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero.

    Seguindo a tendência dos anos anteriores, o Brasil fica ainda abaixo de países como Arábia Saudita (125º), Egito (86º), e Iraque (76º), que têm costumes e legislações mais conservadores em relação às mulheres.

    Deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) discursa no plenário da Câmara – Pablo Valadares – 11.mai.2024/Câmara dos Deputados

    Os dados, baseados na situação de 189 países em 1º de janeiro de 2025, mostram que apenas 18,1% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres (93).

    Colocam ainda o Brasil abaixo da média do continente americano, que registra a maior proporção de mulheres parlamentares no mundo (35,4%), e da média mundial (27,2%). A análise levou em consideração apenas as porcentagens das câmaras baixas —no Brasil, a Câmara dos Deputados—, para acomodar os países que têm parlamentos unicamerais (que não dispõem de Senado, por exemplo).

    O Brasil apresenta ainda um retrocesso em comparação à posição que ocupava há dez anos, ressalta Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres no Brasil.

    Em 2015, o país ocupava a posição 117 do ranking, quando tinha 46 mulheres na Câmara. Apesar do aumento no número de deputadas, hoje o país ocupa posição pior, pois, segundo a representante, outras nações avançaram mais rapidamente ao implementarem “medidas estruturais” de paridade e incentivo à participação de mulheres.

    Desde 1997, a lei brasileira estipula cota para candidaturas femininas nas listas de candidatos de partidos e coligações para eleições federais e estaduais. Os partidos, no entanto, só conseguiram cumprir o percentual mínimo de 30% das vagas em pleitos nacionais em 2014, segundo especialistas, e, até hoje, a medida não é considerada eficiente.

    “Embora o Brasil tenha cotas para candidatura, a cota não garante a eleição, especialmente sem mecanismos complementares como financiamento proporcional ou listas fechadas com alternância de gênero”, afirma Querino.

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